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Pesquisadores de Clown

Fui surpreendido por dois textos científicos sobre clowns, muito bons.
Ficamos felizes ao saber que existem estudiosos (mesmo) em cima de livros
construindo a nossa história.
A partir de hoje trarei alguns desses textos para cá, tornando acessível este
conhecimento. Espero com isso também estimulá-los a transformar o mundo
com um pouco mais de graça.

Links para os textos:

Experimentações Clownescas
(EDUCAÇÃO)

Clown, o Avesso de Si (PSICOLOGIA)

Entre o palco, a rua e o circo (ANTROPOLOGIA)


Ao usar o conteúdo dos textos citar as fontes.
Agradecimento especial a
Maurício Jr.

Como Fazer Nariz de Palhaço em Latex

Material:

- Gesso;
- Nariz de palhaço de plástico;
- Folhas de “papel toalha”;
- Copos de plástico descartáveis;
- Corante de tinta látex;
- Látex pré-vulcanizado (próprio para fazer os narizes);
- Alicate de bico torto;
- Tesoura pequena bem afiada;
- Furador;
- Agulha de crochê (a menor);
- Elástico para prender no rosto.

Procedimento:

1º: Você irá separar um copo descartável e nele você misturará o gesso em pó com a água, para que não fique bolha no gesso (o que estragaria o molde) bata o copo na mesa ou na superfície que você está usando, (isso fará com que todas as bolhas subam para a superfície bata o quanto achar necessário).

2º: Com o gesso já preparado no copo e ainda mole, você deverá colocar o nariz de plástico (o nariz bolinha) no gesso, mergulhando-o. Para que o gesso não entre no nariz e para que também você possa manter uma abertura no gesso para poder tirar o nariz de plástico depois, você deverá colocar no orifício do nariz um “papel toalha” dobrado, deixando uma parte para fora (quando for feito o mergulho do nariz com o papel dentro dele é importante que fique uma ponta aparecendo por cima da superfície do gesso, e se puder segure por uns instantes até fixar bem o nariz no gesso).

3º: Depois de deixar um bom tempo para secar o gesso, você irá tirar primeiro o papel toalha, logo depois com o alicate de bico torto você deverá puxar com muito cuidado o nariz de plástico, para que ele saia do molde sem danificar, pois caso isso ocorra provavelmente seu molde ficará inutilizável.

4º: Após tirar o nariz de plástico você terá em suas mãos o molde pronto, com isso você apenas deverá colocar o látex já com a cor desejada no molde até o topo do molde, deixando ali secar entre 30 minutos a uma hora (depende da temperatura do ambiente), depois deste tempo, você deverá derramar de volta ao recipiente o látex que estava no molde. Com isso você notará que uma parede se formou, depois disso deixe o molde de cabeça pra baixo e espere secar bem o látex que ali ficou.

5º: Após isso você irá retirar o Material de dentro do molde, e cortar com uma tesoura bem afiada o excesso que ficou no nariz de borracha, deixando no mesmo formato do nariz de plástico, após ter feito isso, você irá fazer com o furador os dois furos para poder respirar, e depois basta passar o elástico prendendo uma ponta de cada lado, para atravessar a borracha use a agulha de crochê, assim com o “ganchinho” que há na ponta dela você irá puxar o elástico para o outro lado.

Pronto! Seu nariz está prestes para ser usado.

Dicas:

- Use copo descartável grande, para que a parede do molde tenha uma espessura considerável;
- Se conseguir encontrar use gesso de dentista, pois durará mais o molde;
- Quando misturar a água com gesso, tente deixar já um pouco grosso para não demorar tanto a secagem;
- Caso você não tenha um alicate de bico torto use o normal mesmo, porém será muito mais difícil;

Onde encontrar os materiais:

- O látex acha pela Internet;
- O gesso de Dentista em loja especializada em materiais para consultório odontológico;
- Nariz de palhaço em loja de artigos pra festa e supermercados;
- Copos de plástico em loja de artigos de festa e supermercados;
- Papel toalha em supermercados;
- Corante de tinta látex em lojas de tinta;
- Alicate de bico torto em lojas de ferramenta;
- Tesoura pequena bem afiada em casa de costura ou loja de ferramenta ou supermercado;
- Furador em loja de artesanato e papelaria;
- Agulha de crochê (a menor) em loja de tecido, de linhas e armarinhos;
- Elástico para prender no rosto em loja de artesanato, costura, armarinhos.

FONTE: Fernando Souza

A Vida no Picadeiro

Eu, recentemente através do meu curso de clown, tenho aprendido muito sobre a minha vida e sobre a vida em geral através do famoso picadeiro.

E sempre que falamos de picadeiro, nos vêm a lembrança realmente a figura do palhaço , com suas trapalhadas, seus desafios, seus problemas a serem resolvidos e suas dúvidas eternas.

Mas analisando bem. A nossa vida é um eterno picadeiro, pois sempre temos e teremos que lidar com nossas situações do dia a dia de diferentes maneiras... Hora, preferimos ficar na nossa... escondidos, com medo da multidão e receosos de tudo o que pode nos acontecer...

Outras vezes, podemos querer ser um eterno bobão e brincarmos com as situações da nossa vida. Em outras, queremos esconder nossas tristezas e mágoas... Mas não conseguimos...

Muitas vezes, temos que superar nossos desafios, e por algumas tentativas acabamos por nos tornar idiotas e estúpidos... Dando voltas para resolver uma situação quando esta mesma poderia ser resolvida de uma maneira simples e fácil...

Por isto que eu admiro os palhaços. Porque vejo que eles representam no picadeiro tudo o que passamos nos nossos dia a dia... Nossas ingenuidades, artimanhas, medos, receios, alegrias e sempre nos identificamos com eles... Por muitas vezes, damos risadas deles... Mas na verdade, estamos dando risadas de nós mesmos...

A Vida é um eterno picadeiro!!!! Aquele que não entrar, se arriscar e estiver disponível para tudo, estará seguro no seu cantinho e longe das pessoas, mas nunca poderá provar das coisas boas e das lições que ele (ou ela no caso) poderá nos trazer.

Que possamos sempre brincar neste grandioso picadeiro chamado vida, e que possamos ser eternos palhaços dentro dele...


FONTE: http://picaburu.blogspot.com/

Reportagem Clown Link


O Jornal Online Americano CLOWN LINK publicou nesta Terça-feira, uma reportagem sobre o Blog CLOWN BRASIL.
No texto, o autor comenta espantando sobre a qualidade do conteúdeo e, o especialista, afirma em curtas palavras que o palhaço brasileiro está muito bem munido, em termos de formação.
Agradeço a você, visitante, que faz junto conosco este trabalho de formar o melhor conteúdo sobre o tema!

A Equipe Clown Brasil agradeçe a todos pelo apoio!


LINK para a reportagem

Michel Courtemanche

Michel Courtemanche é um ator, comediante e mímico canadense (e eu o considero um clown). Alguns de seus quadros de humor foram apresentados no Brasil no canal Multishow.
Algumas pesquisas comprovam que Courtemanche dedicou-se um ano inteiro para criar e montar algumas de suas esquetes, isso é comprovado na perfeição de seus movimentos e na sincronia de sons feitos com a boca ou com músicas/barulhos produzidos pela produção de seus espetáculos.

Courtemanche usa técnicas de Clown e de Mimíca para apresentar-se, usa muito também Onomatopéias e Grammelot (estou preparando um tópico especial sobre a diferença entre essas duas técnicas), foram criadas no Século XVIII, técnicas que eram usadas para que as peças não sofressem nas mãos da Censura ou da perseguição dos Inquisidores Católicos.

Em síntese... o Grammelot troca as palavras do texto por uma linguagem indecífravel e com muito significado, é como se você não soubesse falar japonês, mais começasse á pensar em um determinado tema e falasse o seu japonês próprio e sem gramática!

Assista aos vídeos do Courtemanche e aprecie a obra desse grande mimíco que hoje se dedica á direção e produção de espetáculos.

1-Courtemanche faz Exercícios de Musculação (Meu Preferido):


2-Cabine Fotográfica (Aqui ele prova que espaço não é problema):


3-Golf:


4-Samurai:


Em breve, postarei novos vídeos sobre o Michael Courtemanche!

A diferença entre Palhaço e Clown

De um lado Israelitas, do outro, Palestinos, guerreiam por muito tempo, cada um defendendo a verdade em que acredita, alguns guerreiam somente por ter herdado esse título ao nascer, e assim segue-se uma guerra tão desnecessária quanto todas as outras.

Nessa minha primeira postagem tentarei explicar as diferenças entre Palhaços e Clowns, estudo as técnicas e as teorias clown desde 2003 e após ter lido alguns livros, assistindo vários filmes e consultado alguns profissionais, acredito que tenho uma opinião bem esclarecida sobre o tema.

Alguns leitores já podem estar pensando: “Puxa, lá vem mais um que gosta de usar a palavra Clown, mania de ficar usando palavras difíceis e em inglês”; Desculpe quebrar esse seu pensamento, mas Clown não é uma palavra de origem inglesa... Atualmente traduz-se como palhaço, mas essa palavra tem uma origem muito antiga e qualquer pesquisa no Google vai te mostrar que Clown é originado na palavra “Clod” que significa rústico, também pode ser usado para nomear o simples camponês que trabalha a terra.

Enquanto Palhaço é originado na palavra “Paglia” (palha), que era usada para revestir os colchões, no inicio, a roupa do palhaço era feita do mesmo tecido grosso e listrado dos colchões.

Comparando a origem das palavras, chegamos à conclusão que palhaço e clown são tão parecidos quanto à farinha e a farofa! Podem ter o mesmo ingrediente, mas são totalmente diferentes. Ambos são vistos como um indivíduo desajeitado e engraçado.

Não vou analisar a fundo as diferenças da maquiagem e da roupa entre clown e palhaço, mas é importante dizer que os palhaços geralmente são mais coloridos, com mais detalhes e mais chamativos, poderia até dizer que o palhaço carrega consigo a obrigação de fazer rir e de usar a menor mascara do mundo: o nariz vermelho! O palhaço e o Clown são ridículos por natureza, qualquer um que olhar vai dar um descrédito imediato á essas figuras, dando uma importância mínima, esperando que sirvam unicamente para causar um sorriso imediato, e pelo contrário, em séculos passados sábios usavam dessa liberdade para criticar aos reis e mandantes tiranos, sem sofrer nenhuma conseqüência (volto á esse assunto nas próximas postagens).

Aqui chegamos á um ponto importante, até o presente momento tem-se uma diferença mínima, porém, a palavra “Ridículo”, nos traz de volta ao tema.

O palhaço é um ser ridículo, o ser que ninguém quer ser, muitos o apreciam com a finalidade de rir somente, e para isso ele está ali! Pouquíssimos olham com admiração e dizem “Também quero ser palhaço”, e os que fazem isso estudam técnicas milenares dos palhaços, como cair, dar cambalhotas, chutes na bunda, e muitas outras “Gags” que são piadas visuais utilizadas por palhaços e cômicos durante séculos. Sem medo de errar, digo que os palhaços são personagens importantes que alguns atores ou simpatizantes assumem para alegrar esse mundo caótico e por muitas vezes, chato, onde um quer ser melhor que o outro, mostrando-se poderoso, imponente e bem vestido. O palhaço deixa de existir quando o ator o descaracteriza, tirando a roupa e a mascara.

O Trabalho do Clown difere-se já na construção, o ator ou simpatizante é submetido á uma preparação de auto-aceitação, onde deve brigar contra seu ego, contra a necessidade de aprovação que a sua educação lhe impôs e o mais difícil, deverá ver-se!
Sim, até parece fácil sob uma olhada ligeira,
mas quem realmente vive ou diz o que sente? Extrair isso de si é dolorido e gratificante, pois, a desmontagem nos dá a possibilidade de remontar as peças de uma maneira que sejamos mais felizes com o nosso “eu interior”, o clown vive o seu ridículo, aceita os seus defeitos e mostra-os sem medo de ser excluído por ser diferente; a diferença que mais pesa entre o palhaço e o clown está aqui, esse trabalho de clown não acaba quando ele retira sua mascara vermelha e sua maquiagem, ela prevalece em sua vida o tornado mais feliz
Um exemplo bem comum é aquela pessoa que não se importa com os apelidos que lhe são dados pelas deformidades que tem, e os mesmos acabam “não pegando”.

E você? É palhaço ou Clown? Não sabe? Vai estudar, busque um professor (a) que possa lhe instruir de maneira correta (cuidado com os picaretas, que vendem o curso de clown e dão aulas de palhaço). Ah, mas você quer ser palhaço? Sem problemas, procure uma escola de palhaços, o mundo é carente de sorriso e nós que temos a essência da comicidade devemos lapidar o dom que nos foi dado e usa-lo em prol de um mundo mais feliz.

Agora se você simplesmente não concordou com nada que escrevi acima, acha que se deve usar somente o nome palhaço pra tudo e pra todos, fica o meu pedido pra que não faça guerra, não brigue por sua opinião, não faça da sua opinião um imposição, e lembre-se que esse colunista é ridículo, sendo assim um humano comum que erra!
Ao invés de brigar, junte e use sua energia pra fazer alguém rir!


Respeitável público...




Clown, um viajante do tempo


Na rota das caravanas da Idade Média, as feiras e praças públicas se constituíam nos principais entrepostos comerciais e, consequentemente, nos locais de maior afluência popular. Nelas a vida acontecia assim: uns vendiam sua produção, outros abasteciam e todos se inteiravam das novidades trazidas pelos mercadores. Essa efervescência contribuía para torná-las ponto de encontro de artistas que preambulavam pelas estradas: os saltimbancos. Esses artistas que se expressavam nas formas mais variadas - acrobacia, equilibrismo, salto, ilusionismo, mímica, ventríloqua, música etc. - exibiam-se ao ar livre para qualquer plateia. Não se fixavam em nenhum lugar porque traziam no sangue o nomadismo atávico (OLIVEIRA,1990).
Numa sociedade marcada por uma conduta de convívio tendendo mais para a seriedade, a arte de fazer rir tem viajado através dos tempos, alterando o tom ríspido das acções das pessoas e das instituições, promovendo aquilo que todos buscam como meio para burlar a rigidez social, o riso. O meio burlesco é representado desde os primórdios por personagens cómicas que desmascaravam o rigor social por meio de uma cultura popular que parte de uma lógica específica marcada pela contradição e ambiguidade, isso influenciou a lógica do circo.

Segundo BAKHTIN (1987), na Idade Média e no Renascimento, o riso se manifestava de várias formas, opondo-se à “cultura oficial, ao tom sério, religioso e feudal da época”, é o cómico fazendo parte da cultura popular. Dentro dessas manifestações, faziam parte do carnaval, ritos e cultos cómicos os bufões tolos, gigantes, anões e monstros, palhaços de diversos tipos e categorias. O riso no contexto de Rabelais, tem função de libertar a sociedade da lógica dominante do mundo. Ele transforma a seriedade, propondo significados que permeiem as trocas da tonalidade da rigidez à comicidade, com carácter renovação, de morte ao antigo. No cómico, a morte não aparece como uma oposição à vida, mas como uma fase necessária para a renovação (BAKHTIN,1987).É de alguma maneira o aspecto festivo do mundo inteiro, em todos os seus níveis, cria uma espécie de segunda revelação do mundo através do jogo e do riso (BAKHTIN,1987).

Dentro desse contexto, DUARTE (1995) coloca que existem manifestações portadoras de uma lógica diferente das nações racionalizantes, sendo as primeiras valorizadoras de espectáculos verosímeis e representativos de um real, principalmente, nos espectáculos de teatro e circo, predominando nessas perspectivas a ambiguidade e o descomprometimento com os esquemas racionais.

Se avaliarmos, o clown por essa lógica diferente das noções racionalizantes, compreenderemos que ele desempenha função semelhante à dos bufões e bobos medievais quando brinca com as instituições e valores oficiais. Ele, pelo nome que ostenta, pelas roupas que veste, pela maquiagem (deformação do rosto), pelos gestos, falas e traços que o caracterizam, sugere a falta de compromisso com qualquer estilo de vida, ideal ou instituição. É um ser ingénuo e ridículo; entretanto, seu descomprometimento e verdadeira ingenuidade lhe dão poder de burlar situações, pessoas com certa impunidade (BURNIER,1996). Apesar disso, os personagens bárbaros, os artistas, nómadas, desenraizados, quase vagabundos, são principalmente civilizadores e exercem ricas funções de produção, transformação e difusão cultural (DUARTE,1995).

Esse passageiro ao avesso, se materializa nos personagens cómicos, nos clowns, nos palhaços de feira; está embutido em todos os seus ancestrais cómicos, revelando as imagens de corpos que estremecem no devaneio bipolar de sonhos-realidades, no espírito do riso que trespassa o som de nossa memória do picadeiro e capta em fuga nossas ilusões. O riso é mistério que desmistifica o opressor. Segundo BURNIER (1996), o princípio desmistificador do riso, presente na cultura popular medieval renascentista, apareceu no cómico circense, fundamentado basicamente na figura do palhaço. Em suas andanças pelo tempo, o clown ocupou diversos espaços: a rua, a praça, a feira, o picadeiro, o palco, o cinema.

Contextualizar esses personagens e o riso em si, seria fechar a criatividade em formas e tempos. Arte e espírito cómico passeiam pelos espaços, dirigindo-se ao âmago da criação sem se estagnarem no passado ou no presente, mas envolvidos com o clima de fugas e devaneios de corpos em desequilíbrio social, que passam a formar as linhas da travessia do trapezista pelos olhos do espectador na corda bamba, saltando para a bola vermelha do nariz do clown e escorregando no redondo do mundo, fazendo círculos no grande picadeiro terrestre, veículo condutor do viajante númida, o clown.

Vemos que, no decorrer da história, esses atures, tipos cómicos, palhaços, bufões não deixaram de fazer parte do divertimento das pessoas, apesar do controle existente sobre eles. Esses artistas resistiram até nossos dias, porque esse corpo se tornou resistente a regras e normas e se transformou. Ele é o corpo do artista que precede o espírito e o corpo dos atures, cómicos, clowns, para ainda nos fazerem rir das dificuldades da vida. Resiste até nossos dias com uma lógica específica como movimento contrário ao controle social e aos processos civilizadores. Olhamos para esse movimento como um tipo de resistência a qual a arte imprime, embora existam processos para estabelecer o funcionamento das estruturas sempre existirá na arte o mecanismo de adaptação e transformação, que guarda a existência secreta de outras divindades que formam a identidade de subverter independente da realidade existente. É a alma, o espírito de Dionísio se mostrando em todas as partes e em todos, buscando a renovação por meio da ressurreição do divino, representado por Dionísio, e da morte de antigas convenções.

O viajante que passa pelos tempos, participa na construção de sonhos, de esperança e de alegria, para comungar e consumar o seu acto e ofício em que os problemas do clown são solucionados pelo globo vermelho visto por meio do grande espectáculo dos fools(espíritos dos clowns), subvertendo e burlando a ordem das coisas para que o espectador adorne-se com a arte de rir da sua própria dor (WUO,1999).

“O clown nos ensina rir de nós mesmos”(MILLER,1989).

Referências Bibliográficas

BAKHTIN, M. A cultura popular na idade média e no renascimento: o contexto de François Rabelais. Brasília: UnB/Hucitec, 1987.

BURNIER, L. O. A arte de actor : da técnica à representação elaboração, codificação e sistematização de acções físicas e vocais para o ator. São Paulo: PUC, 1994.p340.(Tese, Doutorado em Cultura e Semiótica).

DUARTE,Regina Horta. Noites circenses: espectáculos de circo e teatro em Minas Gerais no século XIX.Campinas:Editora da Unicamp,1995.

MILLER, Henry. O sorriso ao pé da escada.3.ed.Rio de Janeiro : Salamandra,1989.

OLIVEIRA, Júlio Amaral.( Org). CIRCO. s.ed. de.Versão para inglês Isabel Murat Burbridge.São Paulo.Biblioteca Eucatex de Cultura Brasileira, 1990.

WUO, A. E. O clown visitador no tratamento de crianças hospitalizadas. Campinas: Faculdade de Educação Física da UNICAMP,1999.206p. (Dissertação, mestrado em Educação Física).


FONTW: http://rhuanita.no.sapo.pt/

História dos Clowns ilustrada (PARTE 1)


Desde a Antigüidade grega existiam Clowns eram chamados no teatro de Phlyake (Mansell Collection)

Improvisação foi um elemento forte na arte do antigo palhaço grego. Ele foi fruto das farsas populares baseado em figuras mitológicas sobre os temas comuns da sociedade grega. O palhaço iria vestir collants, uma meia túnica curta e que teria mangas almofadadas, enquanto na cintura um grande exagero de tamanho. Seu rosto estava maquiado com tinta ou fuligem e ele usava uma máscara com uma boca em um grande bocejo, que amplificou a voz dele. Gregos mais ricos empregavam palhaços, que eram conhecidos como 'parasitas', e viviam muito mais favoráveis e, em troca do patronado: sua destreza, resposta pronta e mimetismo.


Antigo Teatro Romano usando máscaras (BBC Hulton Picture Library)

Muitos nomes latinos dos romanos palhaços existem ainda hoje: por exemplo, Stupidus (estúpido) foi a designação latina para mimetizar um tolo enquanto uma forma de baixar a bufo scurra foi chamado a partir do qual obtemos a nossa palavra vil.


Antigos Palhaços Romanos no 4 º Século (Mansell Collection)

A comédia romana era muito mais ampla e mais desenvolvida do que a Nova Comédia grega, a partir da qual foi originada. Essa cena a ser retratada como um típico look slapstick ou pantomima.


Bobos (Jesters) século 13 a partir de um manuscrito [BBC Hulton Picture Library]


A impressão de um Bobo do século 19. [Mary Evans Picture Library] [Maria Evans Picture Library]



Um juiz e um tolo bobo do século 13 [BBC Hulton Picture Library]


Um artista do século 19 impressão de um Bobo no tribunal. [Culver Inc Fotos]

Jesters, Loucos e palhaços. "Diga o que você pensa" podia ter sido o lema para todos os Bobos (Jesters), tolos e dos Tribunais da Europa. Desde os tempos antigos até ao início do século 19, estes palhaços medievais se entretendo e se divertido com espantosa liberdade de expressão nos palácios dos reis, nas casas de famílias ricas e nas igrejas, mais tarde, em bordéis e tabernas. Além de proporcionar entretenimento para pessoas que não tinham livros impressos e que, na maioria dos casos, não poderia lê-las assim mesmo, o bobo servido um propósito que provavelmente não foi reconhecido a altura: ele representou o princípio da liberdade de expressão em um idade em que praticamente não existia essa liberdade para ninguém.


Rahere, Jester para Rei e Rainha Matilda Henry I, no início do século 12 [Colecção Mansell]

Rahere é muito lembrado por fundar um hospital que ainda hoje existe! Depois de anos a dançar, tocar violino e zombeteiro para o divertimento do tribunal, ele cresceu. Cansado de tudo e participava de uma peregrinação a Roma como penitência por seu discurso pregando outros modos. Em Roma, ele contraiu malária e ele jurou que, se a sua vida foi poupada edificar um hospital, ele iria ser para os pobres. Uma vez recuperado, ele começou a casa, e sobre a maneira como ele viu uma visão (cheio de doçura e cheio de temor), em que a figura de São Bartolomeu apareceu. Rahere disse que ele ‘foi encontrado em uma igreja’, em um subúrbio de Londres, Smithfield. E assim as antigas obras de um grande brincalhão, a igreja - da qual ele foi o primeiro antes - e de um hospital, ambas dedicadas a S. Bartolomeu.
A igreja ainda está em uso hoje em dia, e 'Barts' Hospital, como é notoriamente conhecido, é um dos mais famosos de Londres no ensino em saúde.


FONTE: CLOWN BLUEY http://www.clownbluey.co.uk
TRADUÇÃO: Google e Dudu de Castro

Sobre o clown - Federico Fellini

O clown é como a sombra

Tenho sob os olhos, entre outras muitas, uma definição do clown feita por meu conterrâneo Alfredo Panzini, no Diccionario Moderno:
“CLOWN - palavra inglesa (pronuncia-se cláun) que quer dizer rústico, rude, torpe, indicando depois quem com artificiosa torpeza faz o público rir. É o nosso palhaço.”
Mas também aqui existe a mesma miserável diferença do termo estrangeiro que enobrece a coisa. O palhaço é mais de feira e praça, o clown, de circo e palco. Um bom acrobata é um clown, isto é, quase um artista, e julgará imprópria e ofensiva a expressão palhaço. Mas clown designa também o palhaço. O próprio Carducci, defensor do vernáculo, nas prosas polêmicas de Confessioni e Bataglie, capítulo Ça ira, não desdenha a palavra.
Neste tempos de nacionalismo, que direi eu? Bem, o clown encarna os traços da criatura fantástica, que exprime o lado irracional do homem, a parte do instinto, o rebelde a contestar a ordem superior que há em cada um de nós.
É uma caricatura do homem como animal e criança, como enganado e enganador. É um espelho em que o homem se reflete de maneira grotesca, deformada, e vê a sua imagem torpe. É a sombra.
O clown sempre existirá. Pois está fora de cogitação indagar se a sombra morreu, se a sombra morre.
Para que ela morra, o sol tem de estar a pique sobre a cabeça. A sombra desaparece e o homem, inteiramente iluminado, perde seus lados caricaturescos, grotescos, disformes. Diante duma criatura tão realizada, o clown, entendido no aspeto disforme, perderia a razão de existir. O clown, é evidente, não teria sumido, apenas seria assimilado. Noutras palavras, o irracional, o infantil, o instintivo já não seriam vistos com o olhar deformador que os torna informes.
Por acaso São Francisco não definiu a si mesmo como jogral de Deus?
Lao Tsé afirmava: “Quando produzas em pensamento, te ri dele.”

O branco e o augusto

Quando digo o clown, penso no augusto. Com efeito, as duas figuras são o clown branco e o augusto. O primeiro é a elegância, a graça, a harmonia, a inteligência, a lucidez, que se propõem de forma moralista, como as situações ideais, únicas, as divindades indiscutíveis. Eis que em seguida surge o aspeto negativo da questão. Pois dessa forma o clown branco se converte em Mãe, Pai, Professor, Artista, o Belo, em suma, no que se deve fazer.
Então o augusto, que devia sucumbir ao encanto dessas perfeições, se não fossem ostentadas com tanto rigor, se rebela. Vê as lantejoulas cintilantes, mas a vaidade com que são apresentadas as torna inalcançáveis. O augusto, que é a criança que faz sujeira em cima, se revolta ante tanta perfeição, se embebeda, rola no chão e na alma, numa rebeldia perpétua.
Essa é a luta entre o orgulhoso culto da razão, onde o estético é proposto de forma despótica, e o instinto, a liberdade do instinto.
O clown branco e o augusto são a professora e o menino, a mãe e o filho arteiro, e até se podia dizer que o anjo com a espada flamejante e o pecador. São, em suma, duas atitudes psicológicas do homem, o impulso para cima e o impulso para baixo, divididos, separados.
O filme [I Clowns] termina com as duas figuras se encontrando e desaparecendo juntas. Por que comove essa situação? Porque as duas figuras encarnam um mito que está dentro de cada um de nós – a reconciliação dos opostos, a unidade do ser.
A dose de dor que existe na guerra contínua entre o clown branco e o augusto não se deve às músicas nem a nada parecido, mas ao fato de presenciarmos a algo que se liga à nossa própria incapacidade de conciliar as duas figuras. Com efeito, quanto mais procures obrigar o augusto a tocar violino, mais dará soprinhos com o trombone. O clown branco ainda pretenderá que o augusto seja elegante. Mas quanto mais autoritária seja essa intenção, mais o outro se mostrará mal e desajeitado.
É o apólogo de uma educação que procura pôr a vida em termos ideais e abstratos. Mas Lao Tsé dizia com acerto: Quando produzas um pensamento (= clown branco), te ri dele (=clown augusto).

Outra versão do par

Neste ponto, também podia citar a famosa antítese popular chinesa entre ying e yang, o frio e o sol, a fêmea e o macho, todos os possíveis contrastes. Podia-se falar de Hegel e da dialética, acrescentar que os augustos são, mais justamente, uma imagem subproletária do pátio dos milagres, com desnutridos, disformes, marginais, capazes talvez de revoltas, não de revoluções. É provável que o povo sempre os tenha tratado com confiança por causa de sua condição miserável, sentindo-se familiar ao abismo.
Os Fratellini foram os que introduziram um terceiro personagem, o “contre-pitre”, parecido ao augusto, mas que se aliava ao patrão. Era o vigarista de rua, o espião, alcagüete da polícia, o liberado a se mover nas duas zonas, a meio caminho da autoridade e do delito.
Com exceção de François Fratellini, que fazia um aéreo clown branco, cheio de graça e amabilidade, incapaz de usar o tom acre da gozação para um mais fraco, todos os clowns brancos eram homens muito duros. Diz-se que Antonet, um afamado clown branco, fora de cena nunca dirigiu a palavra a Beby, que era o seu augusto. O personagem influenciava o homem e vice-versa. Uma das regras do jogo é que o clown branco tem de ser malvado. Ele dá bofetadas.
O augusto: - Tenho sede.
O clown branco: - Tem dinheiro?
O augusto: - Não.
O clown branco: - Então não tem sede.
Outra tendência do clown branco é explorar o augusto, não apenas como objeto de burla, mas como serviçal. Neste ponto, é característico este início: - Não tens que fazer nada, eu faço tudo. – E o clown branco manda o augusto pegar as cadeiras, pondo-lhe a fela sob o traseiro.
O clown branco é um burguês, que de entrada procura surpreender com sua aparência de rico, poderoso, maravilhoso. O rosto é branco, espectral, franze as sobrancelhas, a boca é assinalada por um só traço, duro, antipático, frio, desigual. Os clowns brancos sempre competiram para ficar com o traje mais luxuoso na luta dos figurinos. Célebre foi Theodore, que possuía uma roupa para cada dia do ano.
O augusto, pelo contrário, faz um tipo único que não muda nem pode mudar de roupa. É o mendigo, o menino, o esfarrapado…
A família burguesa é uma junta de clowns brancos, em que a criança se vê relegada à condição de augusto. A mãe diz: Não faças isso, não faças aquilo… Quando se convidam os vizinhos e se pede à criança que diga uma poesia – Mostra a esses senhores como… – é uma típica situação de circo.

Ser augusto é bom para a saúde

O clown branco assusta as crianças por representar o dever ou, empregando uma palavra na moda, a repressão.
A criança se identifica de saída com o augusto, na medida em que esse se parece com um patinho feio ou um cachorro e é maltratado, e por isso quebra os pratos, se retorce no chão, se atira baldes d’água no rosto. É o que a criança gostaria de fazer e os clowns brancos, os adultos, a mãe, a tia, impedem que faça.
No circo, através do augusto, a criança pode imaginar que faz tudo o que está proibido, se vestir de mulher, armar surpresas, gritas, dizer em voz alta o que pensa.
Aqui ninguém te repreende. Pelo contrário, te aplaudem.

(…)

Minha cidadezinha se transforma num toldo

A chegada do circo durante a noite, na primeira vez que o vi, ainda criança, teve o cunho de uma aparição. Um mundo novo, não precedido por nada. Na noite anterior não existia e, na manhã seguinte, ali estava, diante da minha casa.
De saída, pensei se tratar de um barco desproporcional. Logo a invasão, pois foi isso, uma invasão, estava ligada com algo de marinho, uma pequena tribo pirata.
Então, além do medo, o fascínio pelo clown, surgido desse clima marinho, foi definitivo.
Ao clown principal, Pierino, vi na pequena fonte, no dia seguinte à estréia. Poder tocá-lo, ser ele!
Totó, seu irmão, era um clown branco pobre. Trabalhava com uma camisa, uma gravata e umas calças de fustão.
Fazer rir me pareceu algo extraordinário, uma sorte, um privilégio.
No espetáculo de domingo à tarde, sem o toldo, perto da cadeia, os presidiários gritavam atrás das grades. Totó se dirigiu duas vezes a eles. Como um clown branco, fazia outros augustos infelizes.
Daquele momento em diante, minha cidade se transformou insensivelmente num grande toldo. Sob esse estavam os augustos, junto com o prefeito e o chefe fascista local vestidos de clowns brancos.
A insatisfação que os clowns brancos traziam, também se podia achar em figuras dementes da cidade, sobretudo os augustos, mais que os clowns brancos. Essas figuras eram lembradas em casa como bichos-papões. “Se não comes o espinafre, vais ficar como o Giudizio” – dizia minha mãe.
Giudizio era justamente um augusto de circo. Um capote militar cinco ou seis vezes maior que o corpo, sapatos de borracha branca até no inverno, uma manta de cavalo nos ombros. Mas possuía sua dignidade, como o mais esfarrapado dos palhaços. Fitava um Isotta Fraschini resplendente e, com uma bagana nos lábios presa por um alfinete, afirmava: “Nem de presente, ficaria com ele.”
Mas o clown branco, com seu encanto lunar, a elegância noturna, espectral, lembrava a fria autoridade de algumas monjas diretoras de asilos; ou a certos fascistas pretenciosos, com as brilhantes sedas negras, os alamares dourados, o rebenque (como a pazinha do clown), os capotões, o fez e os adornos militares, homens ainda jovens com os rostos pálidos dos capangas, dos notívagos.

(…)

O jogo do clown branco e do augusto

O mundo, não só minha cidade, está povoado de clowns.
Quando estive em Paris para este filme, imaginei uma seqüência, que depois não rodei, em que, andando de táxi, de tanto falar nos clowns, podia-se vê-los na rua. Velhas ridículas com chapéus absurdos, mulheres com sacolas de plástico na cabeça para se proteger da chuva, chapéus e casacos que encolheram, homens de negócios com pastas típicas e um bispo, de aspeto embalsamado, sentado num auto junto ao nosso.
Se me imagino um clown, creio que sou um augusto. Mas também um clown branco ou, talvez, o diretor do circo. O médico de loucos que, por sua vez, enlouqueceu.
Continuemos a prova. Gadda era um belo augusto. Mas Piovene é um clown branco. Moravia, um augusto que desejaria ser branco. Melhor, é um Monsier Loyale, o diretor do circo, procurando conciliar as duas tendências e se manter num terreno objetivo, imparcial. Pasolini é um clown branco do tipo engraçado e sabichão. Antonioni é um augusto desses silenciosos, murchos, tristes. Parise pode ser tudo, um augusto mendigo, sempre meio bêbado, e também um clown branco impertinente, acerado, misógino, dos que esbofeteiam o augusto sem mesmo lhe dar uma explicação.
Picasso? Um augusto triunfal, presunçoso, sem complexos, que sabe fazer tudo e no fim é quem vence o clown branco. Einstein, um augusto sonhador, encantado, que não fala, mas no último instante tira, cândido, do bolso a solução do enigma proposto pelo atilado clown branco. Visconti, um clown branco de grande autoridade, cujo faustoso traje impressiona. Hitler, um clown branco. Mussolini, um augusto. Pacelli, um clown branco. Roncalli, um augusto. Freud, um clown branco. Jung, um augusto.
O jogo é tão certo que, se te vês por acaso ante um clown branco, tendes a ser um augusto, e vice-versa.
O chefe de produção da minha fita era um clown branco. Assim, os outros no convertíamos em augustos. Apenas a aparição de um clown branco mais ameaçador, o fascista, nos transformava também em clowns brancos, desde o momento em que lhe respondíamos, disciplinados, com a saudação romana.
Apenas a destrambelhada aparição de Giovannone, o augusto que assustava as camponesas lhes mostrando o membro como uma lebre morta, surpreso de conviver com esse inquilino que aceitava, nos mudava em clowns brancos quando lhe dizíamos: “Mas o que estás fazendo, Giovannone?”
Até na missa essa relação tinha lugar. Acontecia entre o sacerdote e alguns sacristães, que andavam entre os bancos da igreja interrrompendo o rito, com olhos apagados e alcoolizados, a pedir esmola.

(1) Este texto é um excerto do comentário que fez Fellini a seu filme I Clowns, feito para a televisão em 1970.

In “Fellini por Fellini”, L&PM Editores Ltda., Porto Alegre, 1974, págs. 1-7. Tradução de Paulo Hecker Filho.


FONTE: http://blog.mimicas.com/sobre/sobre-o-clown-federico-fellini/